Alternância do poder desde a Independência

Quando D. João VI deixou o Brasil, abriu-se espaço para a primeira alternância de poder no Brasil. Uma alternância em que a Coroa Portuguesa deixava, aos poucos, de ser protagonista para passar a ser apenas uma participante de um movimento cada vez mais democrático no Brasil. Democrático ainda imperfeito, mas assim definido por ter representantes brasileiros no poder em conjunto a D. Pedro I. Nesse primeiro momento, João Bonifácio e Gonçalves Ledo foram os principais representantes dessa era.

Após um período de monarquia nacional, começamos a ter diversas alternâncias no poder no Brasil. Essas alternâncias têm contribuído para que o Brasil se desenvolva, melhora, e corrija os erros anteriores, ainda que cometendo novos erros.

Após a independência, em 1822, tivemos 67 anos de domínio do grupo de D. Pedro I e II. Quando Deodoro e Floriano fundaram a República em 1889 para acabar com a Monarquia dos Orleans e Bragança, isso em si já foi uma outra alternância do poder. Figuras importantes na história do Brasil no sentido de promover a “formação das almas brasileiras”, esses dois presidentes militares contribuíram para a formação de uma república democrática no Brasil, ainda que imperfeita.

Prudente de Morais que, era mais um coronel mesmo, ganhou eleições com voto de Cabresto. Esse período de eleições impetuosas acabou gerando um novo golpe militar, promovido por Getúlio Vargas, para a tomada do poder à força. Vargas tinha inspirações positivistas, ou ainda, nacional-socialistas. Em verdade, em 1933, Vargas estava alinhado ao nacional-socialismo alemão e ao fascismo italiano. O fato de ter entrado na guerra contra o nazismo e o fascismo foi uma mudança política, ocorrida após 1937, quando Vargas, temendo um golpe comunista que queria, desde aquela época, implantar uma ditadura do proletariado, deu um golpe dentro de um golpe e fundou o Estado Novo para continuar tendo apoio dos norte-americanos e da Europa ocidental.

A essência de Getúlio era ser golpista, diga-se. Golpista e populista. Essa linha de populismo nacional-socialista ficou no poder até Jango, passando aí por Juscelino Kubitschek, outro populista e positiva. Jango já tinha inspirações mais socialistas, quiçá social-democráticas — ele não teve a chance de negar isso apropriadamente, é claro — quando uma ditadura militar de novo, positivista, assumiu o poder. Mais uma alternância que alguns julgam ser de direita para a esquerda. Eu acredito que apenas trocamos de autoritarismos e de golpismos. De qualquer forma, o temor era outra ditadura do proletariado. De fato, diversas pessoas têm denunciado que a luta armada durante o regime militar dessa época, não era pela democracia, mas sim por uma ditadura do proletariado, como pode ser visto nessa entrevista do Eduardo Jorge.

A ditadura militar, no momento que poderia ter uma nova alterância com a eleição de Tancredo Neves, perde esse grande político de nossa História. Ganhamos José Sarney, um membro do coronelismo clássico. Um retorno à Prudente de Morais, e uma continuidade do projeto positivista dos militares por mais 5 anos.

Collor foi a continuidade de Sarney. Abasteceu-se dos mesmos princípios de até então e com características similares de um coronelismo rejuvenescido e expontâneo.

Itamar era do clássico centro histórico do Brasil, o PMDB. Este não pensou muito em ideologias e resolveu se comprometer para resolver o problema da hiperinflação do Brasil, que era grave. E era assim porque, durante um bom tempo, ficamos trocando governos autoritários por outros. E governos autoritários custam caro demais para se manter, naturalmente. Uma forma deles conseguirem se manter no poder por tanto tempo é se financiando com a inflação. Por isso o país foi entregue a Sarney com inflacão galopante, que só foi resolvida durante o governo Itamar, pela equipe capitaneada por FHC, formada por Pérsio Arida, Gustavo Franco, Armínio Fraga e outros.

A partir daí temos uma alternância importante, uma retomada histórica do plano de Tancredo Neves: FHC, um socialista, um intelectual no poder. E ele governa com tintas social-democráticas.

Aí veio Lula, um eterno sindicalista que se redefiniu como “paz e amor” após ter sido o responsável por muitas greves no ABC e pelo Brasil afora, causando conflitos entre empresários e trabalhadores desde sempre. Ele chega ao poder prometendo a continuidade do governo FHC, e a executou em 8 anos. Nesse período, se esforçou para conseguir aprovar o projeto Bolsa Família, que enfrentava muita oposição na Câmara dos Deputados. Para conseguir mais apoio e aprovar as leis importantes para o projeto de poder petista, a equipe de Lula fez o que todos sabemos hoje, o que acabou na AP 470, a ação do Mensalão.

Na prática ele terceirizou para a Dilma a verdadeira alternância. Sob Dilma, com mais populismo do que o normal e um visível alinhamento do Brasil ao socialismo cubolivariano, o Brasil vai indo mais à esquerda ainda, com um certo autoritarismo incompatível com a social democracia. Corrupção exagerada, marketing à Goebbels, desmoralização das denúncias, das pessoas, das ideias e uma hipnose coletiva que parece corroer os incautos, que acabam se deixando levar pela propaganda emocional.

Agora a alternância significa recuperar aquilo que representava Tancredo Neves, que sempre foi social-democrata.

Os mais socialistas pensam que isso é uma guinada à direita, mas a social-democracia é uma esquerda sem a ditadura do proletariado, o que me parece muito melhor do que o lulodilmopetismo.

A grande prova disso é que Aécio não quer cancelar o Bolsa Família. Isso tem que ficar claro.

Fosse ele de direita, iria cancelar o programa, o seguro-desemprego e propor mudar a CLT. Não é isso o que estamos vendo em suas propostas. O que vemos é uma proposta de continuidade, com mais democracia, cancelamento das reeleições e uma série de medidas que podem melhorar o Brasil.

Percebam: apesar de tudo, o Brasil se desenvolveu muito rapidamente desde a República até hoje. Isso ocorre, em parte, porque houve sempre alternância de ideias no poder. Essas alternâncias levam a melhorias e a evoluções no nosso país. Deixar o poder sempre na mão de um grupo específico significa limitar as nossas liberdades e facilitar a construção de autoritarismos, como podemos ver em exemplos de nossa própria História.

Não pense tanto em corrupção e escândalos. Tudo isso é usado para querer lhe convencer de coisas que você já sabe. Simplesmente assuma o seu voto como algo devidamente racional e levaremos ordem e progresso ao nosso país.

Espalhe e acredite nas suas ideias. Sempre.

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