Saber de tudo, folhetins e retidão

Lula já disse não saber de nada em 2005, quando o mensalão foi descoberto e já ameaçava a sua reeleição. Dilma também disse desconhecer o Petrolão. Por mais que esse seja um padrão que se repita, é óbvio que todos sabem o que acontece. Procura-se manter a verdade no escuro, enquanto, de outro lado, tenta-se obliterar a realidade usando melhorias inexistentes para justificar todas as maldades.

É como se alguma bondade, aqui e ali, neutralizasse todo o mal feito e toda a elasticidade moral que vem sendo utilizada.

Políticos no Brasil têm agido como um psicopata que promete amor e entrega a morte.

Apela-se para a falta de realidade. Sobra para o cidadão ir atrás da verdade. Como não é fácil enxergar na neblina, o cidadão cego vagueia pela penumbra, em tosca luz e seco ar que lhe entope as narinas, seca a garganta e impossibilita a visão.

Hoje estamos presos ao poder da propaganda televisiva, à força da militância paga e ao bel-prazer de marketeiros ventríloquos. A culpa disso é que há muito deixamo-nos seduzir pelos folhetins, onde personagens toscos e magnéticos confundem a moral do telespectador. E assim, o eleitor torna-se igual ao telespectador das novelas, sempre ávido por novidades surpreendentes que lhe sirvam para matar a sede de dramaturgia barata. Enquanto isso a verdade é esquecida em algum volume morto.

Água não se promete mais. Já suja de lodo, cheirando a terra e infectada, a água de São Paulo em breve poderá provocar uma diarréia coletiva. Crises de doenças virais também são capazes de se espalhar rapidamente no ar seco. Calor infernal fará muitos paulistanos precisarem de ar condicionado, o que deve agravar ainda mais a crise energética. A conta de luz ainda mais cara, devido ao uso de energia termelétrica, tampouco ajudará a suportar o calor infernal. Sem água para o banho, com mais poluição no ar e sem dinheiro para o ar condicionado, sofreremos um verão de 2015 cheio de verdades, após um 2014 recheado de ilusões e invenções.

Não haverá espaço para mentira, conforme se transpira.

A situação energética do Brasil também não vai nada bem. Com hidrelétricas à míngua devido à mesma seca que afeta São Paulo, há um risco grande de apagão. Além disso, a tentativa de controlar preços da eletricidade e do petróleo por parte do governo Dilma, na tentativa de controlar a inflação, acabou por detonar tanto Petrobrás quanto Eletrobrás.

A solução seria readequarmo-nos à realidade, absorver as incertezas e admirar o futuro. Por toda parte, no Brasil, a alternância do poder vem sendo considerada por parcelas razoáveis da população. É de se acreditar que a mudança virá, afinal toda mudança é inevitável.

O nosso futuro só será possível com milhares de poços artesianos. Também corremos o risco de faltar luz. Ninguém sabe explicar muito bem porque a nascente do Rio São Francisco secou. Tampouco se compreende a situação dos ventos e das nuvens, que não mais se acumulam sobre o sudeste. Será que a poeira ganhou da umidade o espaço da atmosfera? O tempo dirá o que nos acometeu. Por ora teremos de nos acostumar à ideia de viver com sede e no escuro.

Falta retidão moral na etiqueta brasileira. A retidão moral habilitaria as pessoas a tomarem melhores decisões. Se soubessem as pessoas que haveria uma seca como essa, menos água seria consumida e a represa da Cantareira estaria mais bem abastecida à essa altura. No entanto políticos preferiram adiar o inevitável, o que levou ao atual estado de coisas.

A falta da verdade e da retidão moral nos afasta do estado da arte da convivência e diminui consideravelmente a nossa consciência.

Vivemos uma era em que a realidade pode ser trocada pela omissão ou pela invenção por puro interesse pessoal ou partidário.

É necessário lembrarmo-nos que vivemos em conjunto. Só com retidão moral expandiremos a nossa consciência. Não adianta esconder os péssimos números de nossa economia, a situação de nossos reservatórios ou evitar o aumento do preço dos combustíveis para segurar a inflação.

Represar a verdade só a torna maior. Quando ela finalmente surgir, virá como uma avalanche devastadora, o que deve fazer com que muitas pessoas fiquem confusas em relação ao que apoiaram, em quem votaram e o que pretendem fazer. A confusão, no entanto, é bem vinda: só a verdade realmente pode construir alguma coisa. Mentiras ou omissões só contribuirão para a nossa própria destruição.

Sabemos que a lei de causa e efeito ainda existe. Todos iremos sofrer os efeitos dos problemas dos quais já conhecemos bem as causas. Apesar de que alguns insistem em ignorar o que os antigos chamavam de “Lei do Kharma”, ela segue existindo e continuará ensinando aos que pensam que isso simplesmente não existe.

Portanto, quando se quer combater uma doença, a melhor forma é combater as causas, e não os sintomas. A causa de nossa mania de mentir é a nossa mania de acreditar.

Para acreditar, é preciso, primeiro, desconfiar. Muito. Pois os que nos governam hoje não têm pudor e mentem descaradamente. Cabe à mente mais perspicaz detectar o que é verdade para tomar as melhores decisões.

A recomendação é que busquemos a verdade, esteja ela onde estiver, doa a quem doer. Só a verdade nos salvará.

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