Agora que

Agora que passou o tempo de reuniões, e que a política acirrada do país parece ter dado espaço à ternura, agora que triunfam os abraços e carinhos em família em vez da onipresença de pessoas estranhas em nossas vidas, agora que você resgatou dentro de si aquela mesma angústia de antes que o levou a sorrir com as pessoas que você ama, e agora que está saciada a fome e a sede e que a paz parece mover todos os seus próximos passos.

Aproveita este momento para perceber que você é livre. Livre para sentir, amar, querer, pensar, fazer o que quiser. Aproveita e lembra que você não é nada. Qualquer meteoro pode matar-nos como se fôssemos baratas esmagadas por uma pedra opressora, a imprimir na Terra uma cicatriz indelével. Aproveita e lembra que o Sol é muitas vezes maior do que nós, e que ele mesmo pode provocar uma tempestade capaz de eliminar a eletricidade da Terra por alguns anos e nos levar de volta à idade média. Perceba: nada do que nos cerca é imutável e tudo é impermanente. Há, portanto, de trabalhar em si mesmo para levar-se além.

Não se censure ao perceber que o próximo passo é certeiro, já que pensado, idealizado, concentrado e visualizado. O tempo é de construir, e não de destruir. Destruir apenas não contribui para as novas construções. Cada um de nós temos força o suficiente para construir qualquer coisa, seja uma casa da árvore, seja um produto ou serviço que mude a humanidade. Ninguém há de ser mais livre do que o homem capaz de empreender e de inovar. E, inovando, sendo assim capaz de renovar a Terra, fazendo o ativo papel de renovador de recursos, o homem pode, assim, tornar-se mestre do seu destino e engenheiro de suas situações.

Não restrinja o seu vocabulário às palavras atuais. Aprenda novas palavras, já que cada uma delas que você desconhece é um universo desconhecido, um mundo de possibilidades. Cada termo novo é responsável por uma inundações de sinapses no seu sistema nervoso central, capaz de processar ainda mais informações e memorizar ainda mais coisas pela simples existência de uma nova conexão. Conecte a sua mente nas horas mais ternas, lendo um livro ou escrevendo um poema. Concentre-se sempre no seu tempo, adorne o seu caminho de luzes que possam iluminá-lo. Dê sempre um primeiro passo, um segundo, um terceiro. Não hesite em andar sempre adiante.

A vida é como um solo imperfeito, cheio de obstáculos e armadilhas fatais. Saber escolher o caminho é a maior arte. Caminhar em si é, portanto, a maior trilha que você poderá incorrer. Inevitavelmente espinhos haverão de feri-lo. Para o seu conforto, no entanto, você pode usar o aroma para escolher o melhor destino. O melhor trajeto é o que cheira bem.

Sinta com o tato aquele arrepio que precede o novo, que precede o inédito. O tato ensina, como ensina o olfato, a sentir o calor, o frio ou até mesmo o tempo, que imprime no toque a sensibilidade do destino. Anteceda as suas escolhas com um trabalho simbólico capaz de construir as opções de movimento. Jogue xadrez com o destino e entenda qual peça mover sem movê-la, até que se encontre um caminho.

Agora que você já sabe como proceder, esqueça. Nenhum caminho aqui é exato. Nenhum caminho é certo. Você há de escolher, ainda que seja tarde. Pois que o tempo que lhe permite ainda fazer escolhas é o mesmo tempo que ainda lhe permite a felicidade. E a felicidade nem sempre está em ter razão. O segredo da felicidade não está na altura das estrelas, nem nas profundezas do hedonismo.

O segredo da felicidade é ser feliz.

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