A liberdade e seus efeitos na consciência humana

Saber que se pode ir e vir tem um efeito na consciência humana ainda não compreendido, mas certamente registrado. Num ambiente onde se corre riscos, a todo momento tomamos decisão.

Imagine que você está na floresta e não sabe bem onde está. Sem equipamentos para se orientar, você procura um caminho, uma trilha, por onde seja possível caminhar. Mas e se surgir um animal feroz? Ou bandidos com más intenções? A adrenalina então nos prepara para correr ou lutar. Tira a dor, alivia as tensões musculares, intensifica o poder de reação e a sagacidade.

Por esse motivo, homens e lobos andaram juntos. Por compartilharem de uma mesma dieta, podiam sentir-se mais livres, protegendo-se mutuamente.

O homem livre perde a sua liberdade quando precisa buscar sempre a sua comida. A caça era a atitude que levava à maior sensação de poder fazer o que se quer. Com carne abastecíamo-nos por horas.Com os poucos vegetais disponíveis não havia calorias o suficiente. Menos fome nos deu liberdade para pensar.

Liberdade é, afinal, a grande alteradora de consciências. Não há alma livre que não tenha ponderado sobre o seu próprio livre-arbítrio e sobre as suas próprias limitações.

Quantos de nós sabemos ser empreendedores? Ou guerreiros? Ou atletas? Quantos de nós têm a liberdade de optar restringir-se de algo para atingir objetivos? Mesmo que o objetivo seja chegar à outra margem do rio ou à superfície da Lua.

Quanta liberdade se pode ter na superfície da Lua? A maior liberdade seria a de ir embora. Sem ar e água ao alcance dos olhos, temperaturas desagradáveis, a inexistência da proteção contra à radiação solar, a necessidade do traje, uma gravidade fraca, que levaria ao enfraquecimento dos ossos e todo o ambiente inóspito sem alimentos só poderia dar vontade de ir embora. Não sem antes tirar uma foto da Terra para dizer ao mundo aonde se foi.

Que liberdade temos nos nossos dias atuais? A liberdade de ir e vir não é garantida e os riscos ainda existem. Temos limitações de pensamento que corroem a nossa capacidade de decisão. Ou tememos dar os passos necessários para realizar uma simples ideia. Sentimos as barreiras de conhecimento para atingir a liberdade. Nem todos são capazes de receber as informações disponíveis ao seu redor.

Um muro é levantado diante de nós e não entendemos exatamente porque não podemos ir para aquele lado. E não saltamos o muro. 

Pense em quantas cenas incríveis você poderia ver na sua vida se pudesse fazer parkour. Quantos ângulos diferentes você conheceria de um mesmo cenário. Quantas formas diferentes de caminhar você encontraria em qualquer ambiente. A liberdade cresce quando você conhece mais e pode mais. E o quanto se tem de liberdade é, afinal, uma opção. 

Há quem escolha, deliberadamente, a ignorância e a restrição do seu próprio livre-arbítrio. Antecipando as possibilidades de fracasso, preferem não agir a criar mais liberdade. Sobretudo porque também há os que restringem a liberdade, os que gostam de calar e doutrinar, os que preferem massificar em vez de individualizar.

Os que acham que você pode ser livre se tiver menos liberdade.

A liberdade sofre, portanto, com as ameaças internas e externas. Buscá-la exige a contínua procura pelo conhecimento, que promove a liberdade.

O tempo para se alcançar o conhecimento nunca foi tão curto quanto agora. Com o que se conhece, cada vez mais, em breve curaremos as doenças e viveremos mais de 200 anos. Teremos mais tempo para termos mais liberdade. E, com mais liberdade, mais criatividade para resolver os nossos problemas.

Se há problemas, aliás, é porque não temos a liberdade adequada para resolvê-los. Entretanto, se parte de nós a vontade de libertarmo-nos, certamente há aí um risco final, que não pode deixar de ser comentado.

Assim como o criminoso acredita ter a liberdade de cometer um crime, pessoas ruins podem ter a vontade — e a liberdade — de praticar o mal. O recado, portanto, é que a liberdade deve, sim, respeitar um princípio: o da não-agressão. Tal princípio fundamental, aliado do instinto da sobrevivência, é um direito natural e uma vantagem de segurança. Ou ao menos deveria ser. Ao que a liberdade para nos defendermos de agressão éproporcional à agressão iniciada.

Dentro desses princípios, há de se ter a liberdade de agir, inovar, criar e construir o que quer que seja.

A liberdade é o despertar da consciência.

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