D. Pedro I e os autocratas

Talvez o que explique a nossa capacidade de adorar populistas seja culpa de D. Pedro I.

Em vez de trabalho, criou invenções políticas, como a independência brasileira, praticamente combinada com o seu pai. Ganhou imensa popularidade e conseguiu deixar no poder a sua influência — alguns postes e o seu próprio filho — por muitos anos.

Ele foi uma espécie de Dilma do D. João VI, mas que rapidamente se transformou num Lula.

Ele teve a coragem de deixar o seu “Lulinha” adolescente no lugar dele quando foi embora. Junto com algumas babás-regentes é claro.

O Brasil, por isso mesmo, teve independência, mas continuou cobrando altos impostos para poder funcionar.

A inconfidência mineira, um movimento de independência mais verdadeiro, era para lutar contra o quinto, imposto de 20% que Portugal implantava no Brasil.

Hoje a carga tributária sobre o nosso Produto Interno Bruto é de uns 35%. Mas não se fazem mais Tiradentes como antigamente.

Em vez de trabalhar pelo povo, D. Pedro I promovia mesmo é festas, encontros familiares e da nobreza.

O intenso trabalho de marketing pessoal era a sua especialidade, fazendo o tempo todo a imagem de homem galanteador e poderoso, príncipe de duas coroas, a Brasileira e a Portuguesa — esta última, com certeza.

Cooptou quem buscava a independência do Brasil de verdade para tornar isso um projeto da coroa portuguesa.

Mas na primeira oportunidade, traiu muito de seus interlocutores e debandou-se de vez para Portugal deixando aqui seu filho adolescente no lugar.

Com isso, D. Pedro conseguiu adiar em 67 anos a República que deveria ter sido formada em 1822.

Um recorde absoluto, bem distante dos 21 anos dos militares e dos 18 anos de Vargas no poder.

Esperamos que o petismo não dure tanto. Quanto Vargas.

O “Dia do Fico”, sua “reeleição”, foi na verdade uma inovação política parte de um grande “golpe”

O golpe viria a ser a nossa Independência feita ainda que sem armas, sem sangue, sem guerra. Uma ilusão.

Golpe não tão diferente dos que temos sofrido até hoje de nossa classe política.

Afinal eles fingem que estão cuidando do governo enquanto subtraem do tesouro nacional volumosas quantias para usos pessoais e pragmáticos. Ou “programáticos”.

A solução é abandonar esse culto à personalidade tão rasteiro que nos corrói há tantos anos para aceitar uma democracia de verdade, e não uma autocracia disfarçada de democracia.

Autocracia é governar para si mesmo, fingindo que se governa para os outros. Conhece alguém assim?

A nossa história tem tantos exemplos diferentes que é melhor esquecer.

Portanto essa história de votar em indivíduos, em vez de partidos, é uma bobagem. Ninguém muda o mundo sozinho.

Programa de governo de candidato? Outra falácia. Leia o programa do partido. É isso o que eles vão fazer. Programa de governo é puro marketing.

Hoje alguns partidos que estão no controle do Brasil possuem elementos que não merecem a nossa confiança. Votar nessa ou naquela pessoa pensando que essa é a solução é bobagem. Temos que votar numa equipe. Temos que entender quem está com eles para poder votar.

A partir do momento que entendermos com quem estamos andando, seremos mais capazes de compreender quem somos.

E o quanto pagamos.

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